terça-feira, 23 de abril de 2013

Caminhos




A vida é feita de caminhos… milhares deles. Alguns são fáceis de ser encontrados, existem centenas de placas coloridas em neon que indicam a direção. Outros são mais difíceis, são estradas tortuosas, sombrias, sem iluminação, sem indicações de riscos. Alguns são verdadeiros labirintos, que nos fazem quase perder a esperança de encontrar a saída. Outros ainda possuem cruéis encruzilhadas, que na maioria das vezes causam dúvida, medo, indecisão. Por que escolher a direita? Quem garante se na esquerda não está o trajeto mais emocionante, a paisagem mais encantadora, a felicidade mais completa? 
Caminhos, milhares deles. Muitas vezes a gente pega alguns atalhos, escolhe o trajeto mais curto, na pura ilusão de que será mais simples também. Digo com propriedade: não é. Afinal de contas são as pedras que calejam os pés e fazem com que aprendamos a nos proteger. É o cansaço da viagem que nos faz dar valor a um colo amigo, um abraço sincero...
A gente encontra tantas curvas perigosas, tantas estradas sem saída, por vezes alguns tombos e machucados. 
Caminhos..
Diversos deles me trouxeram até aqui. De cada um, trago um aprendizado. Carrego comigo a areia nos olhos fruto das decepções que tive, nas lágrimas o orvalho das noites sem abrigo, sem um porto seguro pra onde voltar, os calos nos pés, na alma, no coração. Caminhei muito, quase desisti por vezes. Mas continuei, e hoje estou aqui, pés cansados, tanto peso na bagagem, peso das lembranças e do conhecimento na memória, tanta coisa... mas a certeza: tudo valeu a pena!
Caminhos... 
resta a certeza de que só estou aqui porque um dia dei o primeiro passo. E é isso, os mais longos caminhos sempre iniciam com um pequeno passo. É tão fácil.. tente você também!



quarta-feira, 3 de abril de 2013

3 anos. O tempo jamais será capaz de apagar.



Lá se foram três anos... três longos anos.
Pode parecer pouco se pensarmos na forma fugaz com que o tempo tem passado, mas para os que sentem a falta de alguém doer fundo o coração, um minuto tem o peso de um século.
Você se foi. Levou contigo aquele sorriso meigo e travesso, que trazia todas as estrelas para a terra. Tirou de nós aquele olhar que conquistava sem precisar palavras, aquela ternura que emanava em um simples toque. Partiu para um lugar muito melhor, e nos deixou com essa dor que deveria passar à medida que o tempo fosse arquivado nas gavetas de nossa história. Mas não passou. Talvez tenha sido amenizada... quem sabe tenhamos aprendido a nos conformar com tua ausência, mas não passa, e não há de passar. Você é saudade viva, que invade o peito.
Numa era em que as pessoas nem mais percebem o outro que caminha ao seu lado, em que ter se tornou tão mais importante do que ser, em que os sentimentos são tão vulneráveis e perecíveis, lembrar de ti faz com que mantenhamos viva a esperança na humanidade. Sim, porque você despertou naqueles que te conheceram um sentimento verdadeiro... Esse tipo de sentimento sabe, que faz com que a gente chegue mais perto do céu em pequenos gestos. Você é daquelas pessoas que “quanto mais especiais e mais importantes para nós, tanto mais sentimos falta da presença delas, das coisas simples, (...) é um sentimento que preenche a alma, mas, ao mesmo tempo, traz um vazio ao peito. Uma saudade sem tamanho. Um grande amigo é pra sempre. O tempo não... E esse tempo deixa uma saudade sem fim!”. Esse vazio que ficou em nosso coração não será preenchido por nada. Permanecerá ali como prova da imensidão daquilo que vivemos ao teu lado. O amor que sentimos por ti é de uma força tamanha que só pode ser comparada à alegria que você irradiava.
Ainda sentimos tua presença entre nós... sempre que as flores desabrocham lembramos da tua inocência e do teu carinho que chegava até nós cotidianamente por meio das infinitas surpresas que você teimava em causar. Nos dias de lua cheia lembramos teu brilho, essa essência que só pertencia a ti. Os raios de sol trazem tua coragem de enfrentar o mundo por aquilo que sonhava, por aquilo que amava. A chuva lava o chão, ameniza a dor a medida que aumenta a saudade. Ainda te sentimos aqui Jéssica, entre nós, comemorando nossas vitórias, nos ajudando a levantar em nossas quedas, aconselhando ao pé do ouvido o caminho a seguir nas tantas encruzilhadas da vida. Deus não te tirou de nós... apenas a transformou em um anjo que segue do céu iluminando cada um de nossos passos, olhando por nós, e nos amando com a pureza e intensidade que só aos anjos pertencem.
A ausência é física... faz falta a voz, o som das risadas, o perfume, o olhar. Porém tudo permanece na lembrança, no coração. Você marcou nossa alma, a medida que por ti seguimos espalhando pelo mundo aquilo que contigo aprendemos. E acho correto aquele velho dizer popular que afirma que qualquer marca na alma acaba sendo retratada em nossa pele. Tua presença vira eternidade para os que um dia te amaram e sonham em "cedo ou tarde te reencontrar, numa bem melhor". Ainda te sentimos aqui... na pele, no traço, no tom, no verbo, no olhar e no sorriso.
Fica em Paz menina, a mesma paz que você sempre transmitiu. 

Cristiane Schmidt, que tatuou "J.L. endless love". Amor que fica na pele a medida que jamais sairá da alma.
Cristiane Schmidt, que tatuou "J.L. endless love". Amor gravado na pele à medida que jamais sairá da alma e do coração.

quarta-feira, 27 de março de 2013



Tenho completa aversão à matemática... não gosto de fórmulas, receitas, de exatidão. Odeio que a vida seja um 2+2=4. Por que não pode ser 5? Ou 3? Ou um bilhão? 
Detesto ter de seguir uma receita: tanto disso, mais um tanto daquilo e um pouquinho daquele outro. Por que não posso colocar mais do que eu quiser? ... 
Percebem? Para mim tudo precisa ser passível de ser rebatido com o clássico: Por quê???
Calma, não estou afim de revolucionar as ciências exatas, nem mesmo instaurar a dúvida no que não se deve discutir. 2+2=4, pronto, simples, exato. Na matemática. Não na vida. Na vida não é assim. Não pode ser. Afinal vivemos em constantes situações em que fórmula alguma pode ser aplicada para alcançarmos um resultado correto ou ao menos coerente. Não tem como seguir o tal do Bháskara e calcular todos os problemas  como se a solução fosse igual a -b+/- raíz quadrada de b² -4ac/2a. E Amém que é assim. Porque só desse jeito somos obrigados a encontrar outras formas de solucionar a questão... damos nosso jeitinho, encontramos outro caminho... 
Para a vida não existe receita como a do bolo de milho da minha mãe. A gente pega todos os ingredientes que estão na dispensa, joga num recipiente, mistura com todo o amor e a esperança possíveis, e espera, com todas as forças que dê certo, que cresça, que tenha o gosto dos nossos sonhos.
A gente faz o que dá, e o que não dá também. Tenta daqui, insiste de lá, aposta todas as fichas... Não tem como seguir o que já está pré-estabelecido. Até porque se fizermos assim, chegaremos até onde os outros já chegaram. Mas a gente sempre quer mais, quer o novo, o inalcançado, o intocado. Quer campos novos, fórmulas novas e inexatas... quer jogar tudo na panela, nem que no fim exploda e nosso trabalho vá pelos ares.
Somente os fracos aceitam o que está estabelecido. Os grandes matemáticos são os que acham jeitos de contrariar as fórmulas. Os maiores mestres na cozinha são os que misturam o inimaginável e criam pratos incríveis. 
E tem nós, que nos tornamos infinitos a partir de cada murro que derrubamos em nosso cotidiano. De cada pedacinho de nós que deixamos no outro. E de cada parâmetro que quebramos a partir da velha e boa pergunta: Por quê?

quarta-feira, 6 de março de 2013

Nostalgia...


Vamos lá... preciso escrever algo pra publicar no blog porque as aranhas estão cobrindo meus textos com tantas teias... Acontece que abro a página, fico olhando para a folha em branco em minha frente e nada de aproveitável surge nessa cabecinha.. acho que tenho tanto pra falar que as vezes fico assim, sem pauta, sem tom, sem melodia... sem nada de útil pra compartilhar...
Talvez isso seja bom... as vezes é benéfico pra pessoas expansivas demais como eu acalmar o verbo, se recolher... falar demais cansa.. cansa a gente e os outros também.. porque tem vezes que ninguém quer saber nossa opinião, ninguém precisa do nosso parecer, e na real to numa fase que perder tempo com coisas desnecessárias já não é mais inocência, é burrice mesmo...
Só que dá saudade sabe... de um tempo passado, que falando assim parece ser de outro século, mas que foi outro dia, há tão pouco que quase podemos tocar com as mãos... mas que não nos pertence mais... A gente sente saudade das pessoas, dos momentos, dos cheiros e sabores, da música*, do toque, do sorriso, do olhar... Faz falta,e é uma falta que dói, porque fica um vazio, um buraco que a gente não preenche... que nada completa... Nostalgia é coisa estranha né?? é como lembrar da casa de nossa infância, do cheiro bom de bolo recém-saído do forno, do gosto de terra que a gente teimava em comer, do joelho esfolado pelos tombos de bicicleta.... a gente lembra mas sabe que nunca mais terá aquilo em nossa vida... que passou, mas que foi tão bom...
Assim acontecem com alguns amores e amigos... fazem tanto bem, mas depois que passam deixam pequenos abismos... que mesmo doendo um pouco são necessários, para que a gente mesmo aprenda, quem sabe um dia, que nada é pra sempre, só o que permanece é o que a gente sentiu... e que foi de verdade!!!


* Ah, A música. Num dia em que perdemos um dos caras que ainda mantinha o rock nacional Vivo e verdadeiro, não há como não falar da música que marcou tantos dos momentos de minha infância, adolescência, enfim, minha vida até hoje. Ah, a música de Chorão. Fica aqui minha singela homenagem. Tu farás falta! E a gente se pergunta porque a vida é assim? Ele tinha habilidade de fazer historias tristes virarem melodia. Só os Loucos Sabem porque o Céu amanheceu mais Azul hoje. Fica Naquela Paz Chorão, um dia espero te reencontrar numa bem melhor.

Chorão. 1970 -  




segunda-feira, 4 de março de 2013

Campanha "Sem movimento não há liberdade"

No mundo de desigualdade, toda violação de direitos é violência




Vivemos em uma sociedade marcada pela desigualdade social e por diferentes formas de opressão, como o racismo, o machismo e a homofobia. Deparamo-nos cotidianamente com múltiplas expressões da violência, que atingem um público muito diverso - mulheres, homens, estudantes, pessoas idosas, crianças e adolescentes, pessoas com deficiência, população Lésbica, Gay, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (LGBT), negra e em situação de rua, dentre outros. Pessoas que representam a maioria no país e que vêm sendo impedidas de terem uma vida justa e digna. 

Para se ter apenas um exemplo, segundo informações do Mapa da Violência (Instituto Sangari, 2011), as taxas que em 1980 chegavam a 30 homicídios a cada 100 mil jovens, na década atual superam os 50 homicídios em 100 mil. Trabalhadores e trabalhadoras rurais também são constantemente alvo da violência. Segundo o relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) "Conflitos no campo Brasil 2011", sobressai o crescimento do número de pessoas ameaçadas de morte. De 125, em 2010, saltaram para 347, em 2011, 177,6%. O Grupo Gay da Bahia (GGB), no Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais de 2011, relata que foram documentados 266 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil naquele ano. Com este trágico cenário, o Brasil confirma sua posição de primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos motivados por homofobia, lesbofobia, transfobia, concentrando 44% do total de execuções de todo o mundo.

Nesse sentido, o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Serviço Social (CFESS-CRESS), entidades que regulamentam o trabalho de assistentes sociais no país e que, para além de suas atribuições, contidas na Lei 8.662/1993, vêm promovendo ações políticas para a construção de um projeto de sociedade radicalmente democrático, anticapitalista e em defesa dos interesses da classe trabalhadora, lançam a Campanha de Gestão do Conjunto CFESS-CRESS 2011-2014, intitulada "No mundo de desigualdade, toda violação de direitos é violência". 

Sabemos que o atendimento às necessidades humanas não ocorre no sistema capitalista; é por isto que não nos rendemos às perspectivas fatalistas que se conformam com a ideia de que não existe alternativa à mundialização capitalista. Permanecemos acreditando que a história é uma arena fértil, aberta de possibilidades, e dessa forma seguimos lutando pela emancipação humana. 

A campanha tem como objetivos primordiais:

  • Sensibilizar a sociedade em geral para o debate em torno da desigualdade social e da violência e negação de direitos, abordando as consequências da violência para as diversas populações e difundir os canais de denúncia contra as violações de direitos;
  • contribuir para criação e disseminação de linguagens e ações de combate às múltiplas expressões da violência como negação de direitos entre a categoria de assistentes sociais, para que possam discutir e divulgar uma cultura política de defesa dos direitos humanos numa perspectiva anticapitalista;
  • estimular a realização de debates públicos sobre as consequências da violência para vida de mulheres, negros/as, LGBT, de crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, população indígena, dentre outros.
Sem movimento não há liberdade. Sem movimento das forças de esquerda, que lutam pela emancipação humana, não há liberdade. Sem movimento de assistentes sociais, no combate a preconceitos e discriminação no cotidiano profissional, não há liberdade. Somente em movimento coletivo é que os sujeitos, que lutam no campo da esquerda, podem construir alternativas históricas de liberdade. 

Este é o nosso chamado à luta em defesa dos direitos humanos, em defesa da igualdade real na vida cotidiana, da liberdade, da justiça e da diversidade humana.


Saiba mais em http://www.semmovimentonaohaliberdade.com.br/

sexta-feira, 1 de março de 2013

O que tem de ser...


Sábio Guimarães Rosa já dizia: "O que tem de ser tem muita força".
E tem mesmo, não adianta. Mas há que se discutir um pouco a esse respeito.
Desde pequena minha mãe, tão sábia quanto, me dizia que o que era meu seria de qualquer forma, não importa os caminhos que trilhasse para chegar até mim, nem o tempo que demorasse nas esquinas da vida... seria meu simplesmente.
Isso vale também pr'aquilo que não me pertence, e que não pertencerá, mesmo que eu queira muito. Mesmo que eu possua por algum tempo, ficará em minhas mãos de forma transitória, mas igual passarinho preso nas grades, um dia insatisfeito, encontrará uma brecha e fugirá.
O tempo é rei, e ele é sempre o único capaz de mostrar o lado certo (ou avesso) das coisas.
Se for pra ser, vai ser. Sim, eu sei, você sabe. Ocorre que, na maioria dos casos, as pessoas se escondem atrás dessa desculpa para deixar que tudo vá acontecendo, que a mão invisível do destino vá pintando e bordando, sem se esforçar para mudar alguns rumos, alterar a direção. 
A gente insiste em tanta coisa inútil, vazia e perecível... entretanto deixa de insistir no que realmente vale a pena, no que merece muito mais da nossa dedicação.
 E não importa que o tempo passe, que os anos corram, que o amanhã venha. Não interessa quantas bocas tu encontres, quantos amores tu vivas, quantos olhares tu conheças. Eu sei, até quem te vê na rua, com esse sorriso estampado na cara, sabe... um dia olharás para trás e verás que o maior amor da tua vida ficou esquecido atrás da desculpa "se for pra ser será". Isso vale para os sonhos também.
Temos que aprender a aceitar que algumas coisas realmente não foram feitas para serem nossas. São do mundo... Porém, só podemos ter essa certeza depois que tivermos feito tudo que podíamos, ter tentado verdadeiramente, pelo menos uma vez, para que fosse nosso. Se não tiver que ser, não será, e nossa consciência estará calma, e dormirá tranquila.
O que não dá é se permitir desculpar-se diante da vida, diante dos sonhos, dizendo que não era pra ser, delegando ao destino a função e a culpa por todos nossos fracassos e decepções.
O que tem de ser, tem muita força. Mas você também tem. Portanto, vá a luta. Entre em campo. Com o tempo você perceberá que a gente é que faz o nosso destino, mesmo que aquele "era pra ser", realmente seja, é a gente que decide como vai lidar com isso. Tudo depende da importância que você dá.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Fiz uma lista...


Fiz uma lista. Contei, numerei e organizei em ordem decrescente...
No topo enfatizei os sonhos antigos, as utopias eternas, os desejos imortais. Em alguns minutos ordenei poucos itens e colei na geladeira.
Sobrou espaço na folha, restaram linhas e linhas em branco. 
Não costumava ser assim.
Sempre fui do tipo de pessoa que tem sonhos incontáveis, que tem prateleiras abarrotadas de vontades, que jamais deixa de querer algo novo. O infinito sempre me interessou, tanto quanto o impossível, o inalcançável. 
Porém, me surpreendi ao ver uma lista breve, sucinta e finita. Olhei pr'aquele pedaço de papel tão medíocre comparado ao tanto de coisa que ainda tenho a fazer nesse mundo, e lembrei do que disse Cora Coralina "Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração." 
É, percebi que chega uma hora que a gente cansa de carregar o mundo nas costas. Cansa, simplesmente.
A gente não sai por aí esbravejando, gritando e esperneando. Não busca uma explicação, nem tenta mudar os fatos. Apenas cansa e resolve parar.
Não se trata do fim da guerra, e sim do encerramento de um ciclo. 
É importante que saibamos admitir quando perdemos uma batalha, quando não fomos fortes o suficiente para segurar as pontas, manter a luta, persistir...
E mais importante ainda é que aprendamos a desocupar alguns espaços em nosso coração. Chega de gente inútil ocupando lugar que podia estar livre, facilitando a caminhada. Chega de deixar-se transbordar em sentimentos por aqueles que mantém-se frios diante de nossas fraquezas, nossas quedas e nossos inevitáveis erros. Chega de pesos desnecessários, carga excedente, bagagens pesadas. É hora de aliviar os passos, permitir-se voar. 
Que o vento tire de nós tudo aquilo que for dispensável e supérfluo. Que leve pra longe.
É hora de pendurar a alma no varal, deixar secar tudo que for inútil, deixar ir. 
É tempo de revirar gavetas, retirar os entulhos, as quinquilharias, os ingressos de cinema, as passagens de ônibus, embalagens de balas e bombons. Jogar no lixo os bilhetes, os desenhos engraçados, as declarações de amor e amizade, falsas e perecíveis. Queimar aqueles velhos sentimentos, que assim como as roupas e calçados antigos, já não servem mais. Não adianta acreditar que dá pra remendar, colar, costurar... já era. Momento de desapegar, desprender... sim, eu já disse: DEIXAR IR. 
Manter apenas o que for verdadeiro, o que fez diferença e que exatamente por ser sincero, PERMANECEU.





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

CONEB e Bienal da UNE


O convite especialíssimo de hoje é para o CONEB (Conselho Nacional de Entidades de Base) que acontecerá entre os dias 18 e 21 de janeiro, e a Bienal da UNE que será realizada de 22 a 26 de janeiro, ambos nas cidade de Recife e Olinda - PE. 
O Serviço Social da Unochapecó possui histórico de participação nessas atividades, posto que representa um curso formado por estudantes extremamente críticos e comprometidos com a transformação da ordem social imposta. E desta vez não será diferente. Estaremos por lá com toda certeza.
Em 2010 no Rio de Janeiro mais de 7 mil estudantes fizeram com que os eventos fossem grandes sucessos, e foi incrível. Esse ano são esperados mais de 10 mil estudantes de todos os cantos do país.
Para saber mais sobre os eventos acessem:  http://www.bienaldaune.org.br/ 
Simbora meu povo que Pernambuco nos espera.


ISSO É MOVIMENTO ESTUDANTIL DE VERDADE...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

2012...


              E mais uma vez o fim do ano chega.. com ele as luzes de natal, os amigos- 
                       secretos, as provas finais, mas o vai e vem permanece...
Como eu já disse outras vezes, acho fantástica a ideia de ter a vida organizada por dias, meses e anos... isso permite que a gente reserve um tempo pra organizar as coisas, arrumar a bagunça da casa e do coração, avaliar o que fizemos até aqui, pensar no que faremos de agora em diante. 
Porém, tirando essa possibilidade ímpar de parar pra refletir, preciso ser sincera... não gosto muito de finais de ano, não suporto essa obrigatoriedade imposta pelo sistema de que todo mundo precisa ser feliz nessa época, todos precisam sorrir, e desejar feliz natal, e comprar presentes e roupas novas, e pular sete ondas, e comer lentilha, e assistir o Especial Roberto Carlos na Globo e, e, e, e... acho definitivamente um saco. Principalmente porque não gosto de Roberto Carlos. E também não gosto de obrigações. Quero ser feliz se eu o estiver verdadeiramente, quero sorrir se tiver motivos pra isso, quero gastar meu dinheiro com qualquer coisa mais interessante do que a ânsia insaciável do consumismo. E não quero ouvir Roberto Carlos. E ponto.
Mas... me detendo a parte que me interessa nessa época do ano, acho válido analisar 2012. Foi um ano atípico, pelo menos pra mim.
2012 acaba e com ele terminam os diversos momentos de angustia que nele passei... que fiquem bem enterrados. Foi um ano difícil, um ano de perdas emocionais, afetivas, de rompimentos de laços, de despedidas... Um ano em que me vi obrigada a viver sem pessoas que eram até então indispensáveis e fundamentais em meus dias. 
Um ano de lindos encontros, doces reencontros e amargos desencontros. 
Um ano que teve muito mais dúvidas que certezas, muitas quedas, muitos erros... Um ano de muitas lágrimas e muitas dores.
Um ano de fases... algumas de interiorização, outras de libertação.
Um ano frio, e não me refiro ao clima la fora. E sim, dentro de mim. Um ano que me deixou mais dura, mas que me mostrou muitas verdades que minha eterna teimosia jamais aceitaria em outras circunstâncias.
Mas também um ano de decisões, um ano de mudanças, de abandonar velhos hábitos, deixar de lado os costumes antigos e já amarelados, de renunciar a mania orgânica e quase hereditária de querer cuidar de todas as pessoas, de aceitar que cada um tem sua vida, suas escolhas, seus desejos e que por mais que eu queira muito ajudar, cada um sempre sabe o que é melhor pra si.
2012 foi também um ano de oportunidades.. algumas eu deixei escapar, e talvez nunca me perdoe por isso. Outras que eu agarrei com todas as forças.
Acho que uma palavra resume esses 365 dias: amadurecimento. 
Amadureci... e somando os prós e os contras... defino 2012 como o ano em que meus avessos foram protagonistas...
Geralmente nessa época, todo mundo deseja um novo ano repleto de coisas positivas e promete que tudo será diferente... porém as tantas promessas de mudança, de novas posturas costumam perder-se ainda nos primeiros dias do ano que se inicia.
Prefiro não prometer nada, apenas agradecer por tudo de maravilhoso que tive nesse ano e esperar que 2013 chegue leve, sorrateiro e surpreendente ...Que traga em seus dias a beleza de tudo aquilo que é do bem, que nos encante, nos emocione, nos alegre, nos faça gritar de euforia... mas que também possamos errar novamente... porque são esses erros que nos darão motivos para no fim das contas percebermos tudo que evoluímos e tudo que ainda temos a aprender.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O ontem, o hoje, o sempre.



Quando adolescente lembro-me que de tão sapeca vivia subindo no telhado de casa, um lugar escorregadio cheio de armadilhas. Minha mãe enlouquecia e alertava diariamente que era perigoso, que eu cairia e me machucaria. Mas aquilo era tão bom, me dava uma sensação tão plena de liberdade. Eu subia e ficava lá, parada, olhando o horizonte, de dia encontrava formas e desenhos nas nuvens... de noite escrevia poemas, contava as estrelas e conversava com a lua. Era meu universo, meu infinito particular. Eu ignorava os avisos de perigo, porque aquilo me fazia bem, me completava. E eis que numa bela tarde, os alertas se concretizaram, e eu escorreguei, cai, me espatifei no chão, o que rendeu uma fratura no braço esquerdo, agravamento no meu eterno problema do pulso direito, várias marcas roxas e um pé torcido. Minha mãe me encontrou aos prantos, e eu já esperava o "EU AVISEI". Ela não o disse, apenas me ajudou a levantar e me levou praticamente no colo para casa.
Diferente do que se pode imaginar, eu não deixei de subir no telhado, esperei que as dores amenizassem e voltei, mas passei a tomar muito mais cuidado, e a desconfiar de cada imperfeição da construção. O que não significa que eu nunca mais caí, apenas que os tombos não machucaram mais como o primeiro. 
As vezes lembro dessa historia quando me deparo com os avisos do mundo adulto que cotidianamente me dizem o que devo ou não fazer. E lembro de minhas amigas me alertando sobre os amores errados que tive na vida. É engraçado, porque quanto mais me diziam não, não se deixa envolver, não se deixa levar, não se deixa apaixonar, nãos e nãos e nãos... mais eu insistia, e tentava, e queria. Nenhum dos avisos foi por maldade, é claro, elas só queriam o meu bem. Mas ainda assim são exemplos, assim como o tombo da minha adolescência, assim como as quedas e dores diárias que sofremos por insistir. E o ponto principal aqui, é que a a gente só insiste quando nos faz bem, quando acreditamos que aquilo é importante, mais que isso, é fundamental. A gente permanece, tenta, volta quantas vezes for preciso, pelo simples e complexo motivo: amamos aquilo. E o amor é um sentimento que realmente dispensa qualquer explicação. Primeiro porque se você já amou entende do que estou falando, e segundo porque se você nunca amou, de nada adiantará que eu tente explicar, você não entenderá. Só entende quem vive na pele, quem sente. Acontece que as vezes os avisos se concretizam, e a gente cai. E se machuca. E chora. E espera o "eu te avisei". Que vem da boca de alguns. Mas que de outros não chega, nem nunca chegará. Eles apenas nos ajudam a levantar e nos levam pra casa (ou, na maioria das vezes, pro boteco mais próximo). Aí a gente pára, faz um esforço desgraçado pra esquecer, passa dias, meses, anos esperando a dor passar... mas chega uma hora que a gente não resiste, e volta. Só que agora com mais cuidado... E a gente cai de novo, chora de novo. Mas não dói mais tanto. Os calos são profundos, impedem o corte.
Comparações, semelhanças.
Me fazem perceber que primeiro: tombos são naturais, e necessários, mas a gente nunca aprende o suficiente, porque está sempre caindo de novo. E segundo: ou tenho tamanha resiliência que devo inspirar estudos psiquiátricos, ou minha teimosia ultrapassa os limites imagináveis da estupidez humana.


P.S: calma, chega uma hora que a gente cresce, e não sente mais vontade de subir no telhado, cair, amar errado, e doer.