quinta-feira, 21 de abril de 2011

Confiança...



Costuma-se comparar a confiança com o cristal... para se referir ao fato de que uma vez quebrado, jamais será o que foi... mesmo colado, remendado, remontado, ficam brechas, fissuras... que volta e meia, resolvem voltar, nos fazendo lembrar de um passado que sempre preferimos esquecer...
Quando traem nossa confiança... abrem uma ferida, que só o tempo consegue curar.. mas a cicatriz fica ali, nos mostrando que esse tal passado foi real, por mais que as vezes a gente prefira pensar que ele nem existiu!!!
Mas, particularmente, sou um pouco mais prudente ao falar sobre isso, não gosto de generalizações, e acho perigoso afirmar ser impossível voltar a confiar em alguém que nos magoou... afinal, se traem nossa confiança é por nossa culpa.... Sim, nossa máxima culpa.. pois fomos nós que entregamos nosso coração, nossa amizade, nosso destino e nos permitimos acreditar... o engano foi nosso... o erro também. Se não esperássemos demais das pessoas, talvez nunca nos decepcionaríamos, e seria tão mais fácil encarar o novo, o inesperado, o que chega sem aviso e nos pega de surpresa, sem tempo pra questionamentos.. porque de tantas marcas que carregamos na alma, na própria pele...torna-se tão difícil confiar novamente, nos entregar de verdade a qualquer tipo de relação, sem aquele medo, sempre presente, ali no fundo do coração, de que aconteça novamente, de que traiam novamente toda aquela crença irracional.. porque sabemos tão bem quanto dói, e o quanto demora pra passar... que é tão mais fácil não confiar em ninguém, nao esperar nada do outro, mantendo a doce ilusão de sermos auto-suficientes...Mas ai sempre tem que chegar um novo alguém, trazendo no olhar o brilho que sempre parece diamante... mesmo que as vezes seja apenas mais um pedaço de vidro falso e ofuscado... mas nosso coração não pára pra pensar... (sim porque confiar é tarefa do coração, que se esquece se perguntar pra razão se vale a pena, se vai doer, se vai quase nos matar por dentro).. e a gente insiste em confiar, em se entregar... em acreditar que dessa vez vai ser diferente, vai ser pra sempre... mesmo que a vida tenha cansado de nos ensinar que o pra sempre, sempre acaba!!

(a pedido...)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ah como me faz falta! (mais q a dança... uma historia de amizade)

Ultimaa apresentação.. falta a Dii ai!!!

E mais uma vez as cortinas se abriam, e era nossa vez de começar o show...
Passávamos incontáveis dias esperando aquele momento, brigas e mais brigas, discussões, desentendimentos, insultos, burros, tombos e tantas duvidas...mas eram esses instantes que nos mantinham com vontade de viver, de sonhar, e de seguir em frente...Tudo começava na dificuldade de se escolher a bendita musica que iríamos encarar dessa vez...tantas idéias, mas tinha que ser a melhor, a mais perfeita, a que nos rendesse mais passos, a que nos permitisse contestar a realidade e apresentar nossos ideais e sonhos...tinha que ser a mais incrível, com o melhor ritmo, melhor cantor, e a letra mais forte que pudéssemos encontrar...
Depois da musica decidida, começavam os infindáveis ensaios, as brigas para convencer os queridos dos professores a nos liberarem, quanta trova, quanta mentira boazinha inventamos, no fim eles sempre deixavam, mesmo que ficassem reinando na sala e dizendo que a gente só queria matar aula....kkkk...
Perfeito, agora era só montar a coreografia...só???ahaammm...a gente que o diga....e encaixar os passos???e decorar???e pensar o que ficaria melhor em cada parte da musica....e rolar no chão???e pular???e inventar coisas absurdas que nos rendiam belos roxos nas pernas e braços...
Ótimo, coreografia pronta....a gente já começava a achar defeito...mas isso não ta bom...isso ta muito simples, muito comum...aqui precisava de algo novo, ousado...o que podemos fazer de diferente pro final???e lá se colocavam 6 cabeças a funcionar, para tentar tirar de lá de algum canto bem escondido uma idéia genial, que revolucionasse tudo o que já tínhamos inventado...como se fosse pouco...kkkkk
Beleza, maravilhoso...tudo pronto....ta mas e o figurino??....affeeee...e começava tudo denovo, as mentes brilhantes tentando descobrir uma roupa perfeita que não nos fizesse falir e alem de tudo pudéssemos usar no dia-a-dia..ou seja: missão impossível...........mas missão impossível????Para nós???? Isso não existe...e lá íamos nós, rasgar camisas velhas, improvisar boleros e saias, montar chapéu, costurar voal...quase apanhar da mãe por estragar tanta blusa, kkkkkkk...e claro que não podia faltar o cabelo e maquiagem que precisavam estar impecáveis como todo o resto, e vale risco de lápis no meio do olho, muito mas muito gliter e ate canudinhos nos deixando com cara de gueichas.....
Os momentos de nervosismo enquanto outros grupos iam apresentando, aquele nó que ia subindo da barriga e engasgando a garganta e parecia que a gente tinha esquecido toda a sequência de passos e que tudo ia dar errado...e la íamos nós ensaiar  no banheiro ou no bebedor, para não correr o risco de esquecer tudo na hora, como se a coreografia já não estivesse tão memorizada que a fazíamos diariamente, ate varrendo a casa se fosse possível....
Ate que chegava a nossa hora...todos os olhares se voltavam para nós...o abraço antes da entrada e a certeza de que independente de qualquer coisa, uma estaria com a outra até o fim..e nada mais importava...
No auditório ou ginásio do Delia, CTG, ginásio municipal, nas outras escolas, no Salão, e nas nossas aventuras por Chapecó...o lugar não importava...o que realmente fazia a diferença eram os olhares de 6 amigas, que encontraram na dança uma forma de expressar o que sentiam, de amadurecer e se tornar verdadeiras mulheres destemidas, corajosas, criativas, determinadas, e mais que tudo, eternamente unidas...
Brilhávamos, sem modéstia, porque nossa dança transparecia um brilho muito maior, que irradiava dos nossos olhos, mas que vinha das profundezas da nossa alma....um  brilho de se estar fazendo aquilo que mais se amava...os primeiros lugares não importavam tanto quanto os aplausos e o sorriso uma da outra, que diziam: sim, a gente conseguiu...
Os anos foram passando, e a dança formou laços tão fortes que nada conseguiu destruir, porque uma era capaz de entender no olhar quando a outra não estava bem, e saber a hora certa de um sorriso, de um conselho, um abraço, um puxão de orelha, ou simplesmente de estar perto para que a outra tivesse certeza de que nunca estaria sozinha....
O tempo passou...tão rápido...e não nos demos conta de que um dia aquele nosso sonho encantado teria fim...um dia teríamos que enfrentar o mundo que tanto questionamos em nossas danças, teríamos que deixar de lado a ficção, e encarar algo real, a verdadeira vida, cheia de responsabilidades, problemas, duvidas, incertezas, decepções, fracassos...Quando vimos, a ultima apresentação chegou, e as lagrimas da certeza de que ali se encerravam momentos que nunca mais viveríamos era tão dolorosa que fez brotar nos olhos de cada uma...
Hoje, por mais que tentemos, é impossível lembrar de todas as danças, todos os passos, tudo que fizemos....mas o que mais marca e o que me vem em mente toda vez que penso naquele tempo é o olhar de cada uma, o sorriso moleque e travesso, a alegria estampada, escancarada, a confiança uma na outra, a seriedade, a determinação, a total entrega por aquilo que buscávamos...e mais que tudo....a nossa união...Não tem como lembrar de tudo isso, e não sentir a garganta engasgar, e as lagrimas começarem a surgir silenciosas e teimosas em meus olhos....sabem que sempre fui a mantequilha como diria a Ana...mas é que tudo aquilo me fez tão feliz, que por mais que as lembranças sejam lindas, daria tudo para apenas mais uma vez, poder subir ao palco ao lado de vcs e sentir de novo aquela sensação de menina que tem a vida toda pela frente mas que se satisfaz com um palco, uma musica, 5 amigas e vários passos ate as cortinas se fecharem...

domingo, 10 de abril de 2011

trair???

Tenho muito receio dessa coisa que chamam de amor… é.. receio mesmo sabe? Porque me esquivo das coisas que não consigo compreender, e na real, não entendo como funciona esse negócio aí de amar. Afinal o que vejo são pessoas que adoram dizer aos quatro cantos que amam, que o objeto de tal amor é tudo o que precisam para possuírem a tal felicidade, sem o qual não se imaginam...apaixonados fazendo mil declarações, comprando mil presentes, vivendo mil ilusões... mas quando menos se espera lá estão... traindo, mentindo, enganando, brincando, machucando... Já ouviu aquela frase: trair?? Desculpa não troco uma vida por uma noite??? É.. acho que é bem por aí a história...
Eu sempre pensei (ao assistir os belos filmes e ler os mais melosos romances) que quando se ama alguém e que se tem essa pessoa ao nosso lado, todo o resto perde a graça, o brilho... que quando é amor.. mas eu digo amor pra valer entende, aquele amor que te faz esquecer do mundo, perder a cabeça, fazer loucuras, enfrentar qualquer barreira, quando é assim, não há como desejar outro alguém, porque temos tudo que precisamos... Mas aí... se você é capaz de se interessar por outra pessoa é porque esse sentimento é frágil, é momentâneo, não tem raízes e pode facilmente ser superado por um outro beijo, um outro carinho, outro toque, outra emoção...
Se bem que no mundo de absurdos em que vivemos, não me surpreende que banalizem tanto os sentimentos a ponto de considerarem traição como algo admissível e perdoável...
Se for assim, prefiro permanecer não entendendo nada sobre amor... porque entre  ter a coragem de magoar alguém, e magoar apenas a mim mesma com a solidão... vou sempre preferir me machucar... porque as lagrimas que fizemos cair dos olhos daqueles que nos amaram realmente.. se transformarão em veneno a nos matar lentamente...

quarta-feira, 30 de março de 2011

nem tente entender...


Por que quanto mais a vida insiste em dizer que não é possível.. mais eu teimo em provar que o que falta é só um pouquinho mais de intenção, um boom bocado de vontade, e um grande investimento de amor naquilo que se pretende fazer. Na verdade eu não sou perfeita, cometo erros, alguns quase imperdoáveis... mas imperdoáveis por mim mesma, porque acredite, sou a maior critica de tudo aquilo que faço, ninguém cobra mais de mim do que minha própria consciência.. Machuco as pessoas sem nem perceber as vezes, mas esse é o preço a pagar por escolher o caminho mais difícil: tocar o coração das pessoas... ter a ousadia de tentar cativar, conquistar, fascinar.. mesmo que existam pessoas que simplesmente não se permitam, não se disponham...seria muito mais fácil viver alheia ao mundo, alheio aos sentimentos dos outros.. e confesso que na maioria das vezes eu preferia mesmo é ser dura, fria, impenetrável... porque quanto mais se tenta ajudar, mais somos cobrados, mais somos mal compreendidos e mais nos decepcionamos com a raça humana... mas a vida é isso mesmo, é tentar encontrar em algum lugar uma força que seja capaz de nos motivar a seguir, identificar no sorriso de um amigo a certeza de que vale a pena acreditar nas pessoas, confiar que o mundo ainda pode ser bom... e ter a certeza que se somos sinceros o universo mesmo se encarrega de nos trazer de volta todo o bem (ou mal) que fizemos, e numa intensidade ainda maior!!!  Sei que permanecerei assim, por que me transformar não é algo que você ou qualquer um nesse mundo será capaz... afinal as minhas verdadeiras mudanças partem de dentro de mim... um terreno ainda muito pouco explorado, uma região que só os puros de alma e coração tem condições de atingir, e mais raros ainda os que conseguem entender!!! Você não entenderia porque eu choro quando preciso sorrir, ou sorrio quando a minha única vontade é chorar...  mas tenha calma meu bem... se estiver disposto, confie em mim, me dê sua mão e siga comigo.. me comprometo com uma viagem fascinante... muito embora não tenha a mínima idéia de onde ela dará..

terça-feira, 22 de março de 2011

e nada acontece por acaso...




Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ele lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada...

domingo, 6 de março de 2011

olho pela janela...



Desde pequena tenho mania de perder meu olhar pela janela de meu quarto e estacioná-lo no infinito... Fiz isso nas manhas da minha infância, quando nada mais tinha a pensar do que num mundo que para mim era um imenso bolo de chocolate em que eu soh precisava brincar, lambuzar, sujar e ser feliz...Fiz isso nas tarde de chuva, olhando cada gota... que trazia consigo tanto significado, mas que eu ainda era ingênua demais para entender!! Fiz isso nas noites de minha adolescência, ao chorar por amores que pareciam eternos.. eh.. não foram... Fato é que ao olhar pela janela, percebi que as paisagens mudam, os dias passam, e a gente mesmo se transforma ... a ação de olhar pela janela é a mesmaa... mas o motivo que me leva até ela nunca é... meu olhar também traz consigo um novo interesse, uma nova lagrima... e uma nova emoção... posso crescer, amadurecer e me tornar uma menina grande... mas ainda é o horizonte daquela janela que abriga minhas angustias, silencia meus soluços, acolhe minhas lagrimas e acalma meu coração... quem me dera voltar aquele tempo em que os joelhos machucados eram curados com beijos de mãe... e que eu não sabia o que era um coração partido... onde os problemas eram resolvidos com coca-cola e salgadinho, onde se chorava por tombos e arranhões... onde o mal só existia nas historias em que no fim o bem sempre vencia... mas a gente cresce... o destino cobra.. a vida faz a gente mudar... que Deus me permita ao menos ter sempre uma janela, aberta para o nada, ou o tudo... para que o infinito possa entrar em minha alma e me tornar parte dele, me tornar plena... plena de mim, imperfeita que sou!!!


sexta-feira, 4 de março de 2011

mas é preciso deixar ir!!!



Mais doído que arranhão no joelho é corte na alma (ou no coração).
Há aqueles mais superficiais, onde as circustâncias pelas quais foram provocados nem importam tanto, tornando-os possíveis de cicatrizar em tão pouco tempo que caem logo em esquecimento.
Outro tipo de corte é aquele que vai um pouco mais fundo… Uma palavra dita num tom não muito agradável, uma amizade que não foi tão sincera, um amor não correspondido.  A dor dura um pouco mais, podendo ser de um dia, um mês ou até um ano. A pessoa ferida pode esquecer horas e lembrar outras, o estrago provocado pode arrancar algumas lágrimas e uns “eu nunca mais farei isso” (ou coisas do tipo), mas um dia cicatriza. Também cai em esquecimento.
Há ainda outra espécie de corte – e já digo de antemão que é o pior de todos eles – que chega da forma mais inesperada possível; seja por carta, email, telefone, ou ainda, no pior dos casos, por palavras e gestos mal ditos ou não ditos. Esse tipo de dor é daquelas que nunca será dividida com ninguém (nem mesmo com o causador), daquelas que é guardada dentro da alma e o sofrimento é prolongado, podendo durar uma vida toda. É algo que não sai do pensamento, que persegue tudo que é feito, pensado, dito; e dói tanto, ao ponto de ser uma dor além do que se é possível sentir. Vem quando se dorme ou está acordado, na hora do almoço ou no lanche da madrugada.  E a pessoa ferida dirá mil vezes que já passou, que já esqueceu, que não foi nada. Mas só ela saberá o quanto doeu ter vivido aquilo, o quanto seu coração ficou dez vezes mais frágil com aquele corte, o quanto queria poder simplesmente esquecer. Mas não esquece nunca. Porque há coisas que servem de lição, mas outras apenas nos perseguem a vida toda trazendo as lembranças mais tristes e o medo de seguir em frente.

Markus Zusak

aceitar...


Vida marejada, nó apertado na garganta das coisas, chega finalmente o momento em que desejamos apenas o sossego que costuma vir com a aceitação. Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais.

Caio Fernando Abreu 

sonhar..




“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.  [...] E se ela se afogar, se recupera. [...] E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário…por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

Caio Fernando Abreu